terça-feira, 14 de janeiro de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
CARTA FINAL DO 13º INTERECLESIAL DE COMUNIDADES ECLESIAIS DE BASE DO BRASIL AO POVO DE DEUS
Irmãs e irmãos da caminhada,
“Maria pôs-se a caminho ... entrou na casa e saudou Isabel ... bem aventurada tu que acreditaste ... as crianças estremeceram de alegria no ventre ...” (cf. Lc 1,39-45).
Em atitude romeira, o povo das Comunidades Eclesiais de Base de todos os cantos do Brasil colocou-se a caminho respondendo ao chamado da grande fogueira acesa pela Diocese de Crato-CE, convocando para o 13º Intereclesial.
A luz da fogueira alumiou tão alto que fez acorrer representantes de Igrejas irmãs evangélicas e de outras religiões. Até foi avistada em toda a América Latina e Caribe, Europa, África e Ásia.
O Cariri, “coração alegre e forte do Nordeste”, se tornou a “casa” onde se encontraram a fé profunda do povo romeiro, nascida do testemunho do padre Ibiapina e do padre Cicero, da beata Maria Madalena do Espírito Santo Araújo e do beato Zé Lourenço, com a fé encarnada do povo das CEBs nascida do grito profético por justiça e da utopia do Reino.
Houve um encontro entre a Religiosidade popular e a Espiritualidade libertadora das CEBs.
As duas reafirmaram seu seguimento de Jesus de Nazaré, vivido na fé e no compromisso com a justiça a serviço da vida.
Bem aventurado o povo que acreditou!
A moda da viola e da sanfona cantou este acreditar. As palavras de dom Fernando Panico, bispo de Crato, na celebração de abertura confirmaram este acreditar, proclamando: as CEBs são o jeito da Igreja ser.
As CEBs são o jeito “normal” da Igreja ser. Jeito normal de o povo de Deus responder no hoje à proposta de Jesus: ser comunidade a serviço da vida.
Ao ouvir a proclamação desta boa noticia, o ventre do povo que veio em romaria para Juazeiro do Norte ficou de novo grávido deste sonho, desta utopia.
A esperança foi fortalecida. A perseverança e a resistência na luta foram confirmadas. O compromisso com a justiça a serviço do bem-viver foi assumido.
E a alegria estourou como fogos a vista e do meio da alegria escutamos a memória da voz querida de dom Helder Câmara, a se fazer ouvir: Não deixem a profecia cair! Não deixem a profecia cair!
A profecia não caiu. Ecoou nas palavras do índio Anastácio: “Roubaram nossos frutos, arrancaram nossas folhas, cortaram nossos galhos, queimaram nossos troncos, mas não deixamos arrancar nossas raízes.”
Raízes indígenas e quilombolas que afundam na memória dos ancestrais, no sonho de viver em terras demarcadas, livres para dançar, celebrar e festejar a terra que é mãe.
Emergiu a memória do padre Ibiapina, que já incentivava a construção de cisternas de pedra e cal e o plantio de árvores frutíferas, para conviver com a realidade do semiárido. Reanimava assim a esperança e a dignidade do povo sertanejo.
O protagonismo da beata Maria Araújo canalizou os desejos mais profundos de vida e vida em abundância, o que incomodou os grandes e a hierarquia eclesiástica.
O padre Cícero e o beato Zé Lourenço continuaram acolhendo os excluídos no mesmo espirito de Ibiapina.
Organizaram a comunidade do Caldeirão movida pela fé, trabalho, fartura e liberdade. Esta forma de convivência com o semiárido tem continuidade nas CEBs, nas pastorais e entidades comprometidas com os pobres,
A profecia ecoou na análise de conjuntura, que levou a constatar que o Brasil ainda precisa reconhecer que no campo e na cidade, não basta realizar grandes projetos.
O grande capital prioriza o agro e hidronegócio e as mineradoras, continuando a expulsar do campo para concentrar as pessoas nas cidades, tornando-as objeto de manipulação e exploração, de concepções dominadoras e produtoras de profundas injustiças.
O povo continua sendo despojado de sua dignidade: seus filhos e filhas definham no mercado das drogas e no tráfico de pessoas; é destituído de seus direitos à saúde, educação, moradia, lazer; a juventude é exterminada, obscurecendo a possibilidade de se projetar no futuro por falta de oportunidades; ainda existem preconceitos e outras violências marcam as relações de etnia, cor, idade, gênero, religião. Percebemos que transformar os cidadãos e cidadãs em consumidores é ameaça para o “Bem Viver”.
Ranchos (miniplenários) e chapéus (grupos) tornaram-se espaços de partilha das experiências de busca para compreender a sociedade que é o chão onde as CEBs labutam e vivem.
E nos passos de padre Cícero, as CEBs se tornaram romeiras nas veredas do Cariri, conhecendo realidades e comunidades; vivenciando a firmeza dos mártires e profetas; experimentando a partilha e a festa do jeito que o povo nordestino sabe fazer.
A sabedoria dos patriarcas e das matriarcas nos acompanhou resgatando a memória e orando: “Só Deus é grande”, “Amai-vos uns aos outros”.
A grandeza de Deus se revela nos romeiros, povo sofrido que ao assumir a organização da romaria, na prática da solidariedade, na reza e no canto dos benditos se torna protagonista e ressignifica o espaço da vida diária.
O amor é manifestado na profecia da mulher que no acariciar, no amassar o pão, na liderança e revolução carrega em seu ventre nossa libertação; na profecia que por amor à justiça se torna ecumênica; em Jesus de Nazaré que por primeiro viveu a justiça e a profecia a serviço da vida e nos desafia a sermos CEBs Romeiras do Reino no campo e na cidade.
A vivência comunitária no terreiro do semiárido renovou nosso acreditar. Exultamos de alegria como as crianças que saltaram de alegria no ventre das mães vislumbrando o novo. O Reino se fez presente no meio de nós.
Seus sinais estão presentes na irmandade: oramos e refletimos, reavivamos à nossa frente rostos de mártires e profetas da caminhada, refletimos e debatemos, formamos a mesma fila para comer juntos a gostosa comida do Cariri, à mesma pia lavamos nossos pratos. Na circularidade do serviço, do canto, do testemunho reafirmamos o compromisso de ser CEBs: Romeiras do Reino, profetas da justiça que lutam pela vida, a serviço do bem-viver, sementes do Reino e da sua Justiça, comunidades profetas de esperança e da alegria do Evangelho.
Romeiros e romeiras sempre voltam para seu chão, repletos de fé e esperança. Nós também voltamos como romeiros e romeiras grávidos da utopia do Reino que é das CEBs. Voltamos para nosso chão, com uma mensagem do papa Francisco, bispo de Roma e Primaz na Unidade.
Dele recebemos reconhecimento, encorajamento, convite a continuarmos com pisada firme a caminhada de sermos Igreja Romeira da justiça e profecia a serviço da vida.
Juntamo-nos à voz de Maria que louvou ao Deus da vida que realiza suas maravilhas nos humilhados.
Unamos nossas vozes á sua para com ela derrubar os poderosos de seus tronos e elevar os humildes, despedir os ricos de mãos vazias e encher de fartura a mesa dos empobrecidos.
Irmãs e irmãos, vos abraçamos com amorosidade. Amém, Axê, Auerê, Aleluia!
Participantes do 13° Intereclesial das CEBs enviam carta ao papa Francisco
Os 4.036 delegados dos 18 regionais da CNBB: 2.248 mulheres e 1.788 homens. Os 72 bispos e padres, 232 e os religiosos e 146 religiosas. Representantes de 75 lideranças indígenas; de 20 de outras Igrejas cristãs, 35 de outras religiões, 36 estrangeiros e 68 assessores e membros da coordenação ampliada, que participaram do 13° Intereclesial da CEBS, que aconteceu em Juazeiro do Norte (CE), diocese de Crato, enviaram ao papa uma carta.
Querido irmão, bispo de Roma e pastor primaz da unidade,
Papa Francisco,
Papa Francisco,
Nós, cristãos e cristãs, leigos das comunidades eclesiais de base, agentes de pastoral, religiosos/as, diáconos, padres e bispos, assim como irmãos de Igrejas evangélicas e de outras tradições religiosas. Também tivemos conosco nesse encontro representantes de povos indígenas, quilombolas e ainda irmãos e irmãs, vindos de outros países da América Latina e Caribe, assim como de outros continentes. Todos nós que participamos do 13º Encontro intereclesial das comunidades eclesiais de base queremos expressar ao senhor nosso agradecimento pela bela e profunda carta que nos enviou e foi lida no início desse encontro. Sua carta nos chegou como uma luz a iluminar o caminho, reacendendo em nós a esperança numa Igreja, Povo de Deus.
Aproveitamos a oportunidade para nos unir ao seu esforço por renovar as Igrejas da comunhão católico-romana, de acordo com a teologia e a espiritualidade do Concílio Vaticano II, relidas e atualizadas pelas necessidades do mundo atual e pela urgência de que nós, cristãos, escutemos “o que o Espírito diz hoje às Igrejas” (Cf. Ap 2, 7).
Percebemos que a maioria da humanidade acolhe com gratidão o seu testemunho de homem de profunda simplicidade e que se revela discípulo de Jesus na linha do evangelho. Nós lhe agradecemos por fazer do ministério papal uma profecia contra a economia de exclusão, que hoje domina o mundo e defender os migrantes e clandestinos pobres da África e de outros continentes. Igualmente lhe agradecemos por reconhecer o papel da mulher na caminhada eclesial e esperamos que essa reflexão seja aprofundada.
Aqui em Juazeiro do Norte, CE, diocese de Crato, as comunidades eclesiais de base reafirmam sua vocação, no jeito de ser Igreja das primeiras comunidades e também no espírito das missões populares e das casas de caridade do Padre Ibiapina, do padre Cícero Romão Batista, do leigo José Lourenço, assim como de tantas mulheres santas como Maria Araújo, irmãos e irmãs que nos precederam nesse caminho de sermos Igreja dos pobres e com os pobres, cebs romeiras do campo e da cidade, na comunhão com a Mãe Terra e toda a natureza. Aqui, acolhemos e nos solidarizamos com os povos indígenas, ameaçados no seu direito à posse de suas terras ancestrais e todos os dias vítimas de violência e até de assassinato. Também nos impressionou o relato de extermínio de jovens pobres e negros, em várias regiões do nosso país. E nos solidarizamos com a luta e resistência dos quilombolas e do povo lavrador, ameaçados pelos grandes projetos do Capitalismo depredador do ambiente e injusto para com a maioria da humanidade.
Entre suas palavras e gestos, algo que nos toca muito de perto é o fato do senhor se apresentar como bispo de Roma e primaz da unidade das Igrejas. Essa atitude básica permitirá retomar o reconhecimento que o Concílio Vaticano II fez da plena eclesialidade das Igrejas locais e encontrar a profunda verdade que esse nosso encontro quer expressar, ao se chamar “intereclesial” de Cebs: um encontro de igrejas locais, reunidas a partir das comunidades eclesiais de base e desse modo da Igreja ser. Conte conosco nesse caminho e que Deus o ilumine e o fortaleça sempre.
Despedimo-nos, nos comprometemos de sempre orar pelo senhor e por todas as suas intenções. Pedimos sua bênção apostólica e nos colocamos à sua disposição para vivermos juntos a justiça e a profecia a serviço da vida. Na festa do Batismo de Jesus de 2014.
13° Encontro Intereclesial das CEBs, Juazeiro do Norte, Ceará, 11 de janeiro de 2014.
terça-feira, 26 de novembro de 2013
As CEBs nos tempos atuais: Problema ou Solução?
D. Eurico dos Santos Veloso
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora.
As CEBs nos tempos atuais: Problema ou Solução?
Muita gente se pergunta pela atualidade das CEBs
(Comunidades Eclesiais de Base), isto é, se ainda tem sentido, na sociedade
contemporânea, falar e, sobretudo, fazer uma experiência de CEBs. A partir
desta indagação, intuí alguns palpites que partilho com quem continua
trabalhando para manter acesa a lamparina (cf. Lc 11,33-36).
Começo, propositadamente, com uma provocação que
vem sendo usada para descaracterizar ou, pelo menos, relativizar a presença e
missão das CEBs em nossos dias, a saber, a sociedade globalizada.
Muita gente acredita e divulga que na forma de
organização social atual, com a primazia do mercado e, com ele, as relações subordinadas
ao capital e ao lucro, ou o avanço tecnológico que impõe conhecimento e
informação, e tudo o que daí decorre, não haja mais lugar para a construção de
comunidades ou a realização de um projeto autenticamente comunitário. Ou seja,
na sociedade, tal como está aí, hoje, seria utópico pensar e apostar na força
da união, do “um por todos e todos por um”, pois a lei da competição defende
que é cada um por si mesmo e ponto. Uma teoria que, é bem verdade, no contexto
do capitalismo neoliberal faz sentido e expressa o sentimento comum daquelas
pessoas que assimilaram e introjetaram a ideologia dominante. O mais
interessante, porém, é que quem continua atento e fiel aos “sinais dos tempos”
e lugares, pode usar o mesmo argumento do neoliberalismo e da globalização para
contestar esta posição conservadora que não representa mais que a manutenção do
status quo.
O atual sistema social supõe e impõe critérios e
estilos de vida frontalmente opostos ao cristianismo que, desde sua origem,
sustenta que ser cristão passa pela adesão ao espírito comunitário (cf. At
2,42-47; 4,32-37; 5,12-16) ou, se preferirmos, a fé cristã, que é
obrigatoriamente mediada por relações de amor e fraternidade (cf. 1Jo 4,12) só
pode ser experimentada em comunidade, e nunca fora dela (cf. Jo 20,19-29). A
sociedade globalizada postula intimismo, individualismo, consumismo,
competição, lucro e tudo o que submete a vida humana e ecológica à soberania do
mercado; a relação de comunidade (comum-unidade) se estabelece, em
contrapartida, pela abertura, diálogo, respeito, comunhão, participação,
solidariedade, partilha, e tudo quanto define as relações interpessoais que,
mesmo reconhecendo e valorizando a individualidade (cada pessoa), sobrepõe o
“nós” comunitário ao “eu” egoísta ou individualista; o “nós” comunitário está
impregnado da dimensão do todo, preocupando-se e ocupando-se do bem comum; o
“eu” egoísta, por natureza, “ensimesmado”, concebe e constrói as relações,
tendo em vista o eventual proveito que delas poderá tirar.
Toda esta desafiadora conjuntura exige respostas rápidas e eficazes para enfrentar, combater e substituir as relações mercantilistas, tipicamente neoliberais, por relações humanas, mais fraternas e solidárias, que assumam como ponto alto do seu compromisso o cuidado e a defesa da vida humana e ecológica. Ora, para realizar este grande “mutirão pela vida”, a única alternativa viável é a construção de comunidades e/ou grupos que, amando-se e apoiando-se, se solidarizem e, solidarizando-se, se protejam e colaborem para proteger e defender a dignidade, a vida e o bem comum, patrimônios indeléveis da humanidade.
É claro que, na prática, a tarefa não é fácil. Na
realidade urbana, por exemplo, as pessoas recebem muito mais informação e são
mais contaminadas pela mídia elitista e globalizada. Situações como as de
condomínio fechados, com porteiros eletrônicos, câmeras internas etc., serão,
com certeza, um dos maiores desafios para “fazer comunidade” e evangelizar a
cidade. Não obstante, já vemos despontar em regiões urbanas experiências de
condomínios, ou parte deles, que se abrem para encontros semanais de círculos
bíblicos, onde se realiza a profecia de Jesus: pobres evangelizando ricos.
Agentes de pastoral, em geral, de classe média baixa para pobre, que vão aos
prédios semanalmente para colaborar com os moradores na leitura orante da
Bíblia, com o velho conhecido objetivo de transformar a realidade à luz da
Palavra de Deus. Eu mesmo sou testemunha, a partir das Visitas Pastorais, de
Paróquias, na área urbana da Arquidiocese de Juiz de Fora, que acreditam e
alimentam o espírito de pequenas comunidades, com círculos bíblicos, em
encontros periódicos que se realizam em garagens, varandas ou até mesmo em
baixo de uma árvore.
Um exemplo que ilustra esta presença das CEBs, fermento da nova sociedade e inserida no novo contexto social é um de nossos jovens da periferia, de família que vive abaixo da linha da pobreza, mas que conhece e trabalha a Bíblia em linguagem popular como ninguém.
Em um dos encontros que
assessorou, conheceu uma dessas madames de condomínio fechado, que se encantou
com sua fala. Chamou-o ao término do encontro e lhe perguntou se, caso ela
organizasse um grupo em seu condomínio, ele estaria disposto a uma primeira
conversa com o pessoal. O rapaz respondeu que sim e, de fato, foi a primeira
vez. Todos gostaram e pediram que fosse uma segunda, e assim o grupo engrenou.
Com o passar do tempo, os participantes descobriram quem era o jovem que os
servia com a reflexão da Palavra: pobre e sem condições sequer de manter seus estudos.
A partir daí a Palavra se torna luz que brilha na ação organizada e solidária
do grupo (cf. Mt 5,16) e hoje, com a contribuição de todos os seus membros, o
jovem tem garantido seu direito de estudar.
Alguém poderia alegar: mas neste
caso a solidariedade aparece como uma opção individualista que resolve apenas
um problema pessoal e não comunitário ou coletivo.
Seria, se o mesmo grupo não tivesse se mobilizado e
assumido o plebiscito contra a privatização da Vale do Rio Doce, na semana da
Pátria de setembro de 2007. Ou seja, a reflexão deu origem à construção da
experiência comunitária, levando o grupo de classe média a assumir, à luz da
Palavra de Deus, uma opção de classe: opção pelos pobres na solidariedade com o
jovem, e opção pela classe popular na luta pelos direitos de todos. Conjugados,
estes são os elementos constitutivos das CEBs.
Respondendo ao novo contexto social, a V Conferência do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho) questiona a atual estrutura paroquial que já não responde aos grandes desafios dos tempos modernos (cf. DA - Documento de Aparecida 173), e lança o apelo para transformar a paróquia em uma “rede de comunidades e grupos” (DA 172). Claro está que a Paróquia não é uma CEB, mas uma rede de comunidades missionárias, donde a importância de sua “setorização em unidades territoriais menores... que permitam maior proximidade com as pessoas e grupos que vivem na região” (DA 372). Por isso, reconhece nas CEBs verdadeiras “escolas” (DA 178) que “demonstram seu compromisso evangelizador e missionário entre os mais simples e afastados, e são expressão visível da opção preferencial pelos pobres. São fonte e semente de variados serviços e ministérios a favor da vida na sociedade e na Igreja” (DA 179).
As CEBs nos tempos atuais se justificam e se impõem como o meio mais coerente e eficaz de ser cristão, pois na atual conjuntura de empobrecimento e exclusão das massas, não há outro caminho, para a sobrevivência dos pobres, que não sejam comunidades humanas, humanizadas, fraternas e solidárias, que têm a missão de acolher e cuidar de todos, no mesmo espírito de Atos dos Apóstolos.
Respondendo ao novo contexto social, a V Conferência do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho) questiona a atual estrutura paroquial que já não responde aos grandes desafios dos tempos modernos (cf. DA - Documento de Aparecida 173), e lança o apelo para transformar a paróquia em uma “rede de comunidades e grupos” (DA 172). Claro está que a Paróquia não é uma CEB, mas uma rede de comunidades missionárias, donde a importância de sua “setorização em unidades territoriais menores... que permitam maior proximidade com as pessoas e grupos que vivem na região” (DA 372). Por isso, reconhece nas CEBs verdadeiras “escolas” (DA 178) que “demonstram seu compromisso evangelizador e missionário entre os mais simples e afastados, e são expressão visível da opção preferencial pelos pobres. São fonte e semente de variados serviços e ministérios a favor da vida na sociedade e na Igreja” (DA 179).
As CEBs nos tempos atuais se justificam e se impõem como o meio mais coerente e eficaz de ser cristão, pois na atual conjuntura de empobrecimento e exclusão das massas, não há outro caminho, para a sobrevivência dos pobres, que não sejam comunidades humanas, humanizadas, fraternas e solidárias, que têm a missão de acolher e cuidar de todos, no mesmo espírito de Atos dos Apóstolos.
domingo, 24 de novembro de 2013
Dia do leigo
PARABÉNS A TODOS OS LEIGOS DA NOSSA DIOCESE DE CAETITÉ E OS DO MUNDO INTEIRO QUE SE PÕE A SERVIÇO
Neste
domingo, 24 de novembro, é celebrado o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e
Leigas. Por ocasião da data, o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão
Episcopal para o Laicato da CNBB, dom Severino Clasen, envia uma mensagem
aos leigos. “Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se
dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o
Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das
pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades…”, destacou o bispo.
Leia o texto
na íntegra:
Mensagem
para o Dia Nacional dos Cristãos Leigos e Leigas
Saúdo todos
os leigos e leigas do Brasil pelo seu dia na festa de Cristo Rei!
Viva Cristo
Rei!
Todas as
criaturas necessitam de um ambiente saudável para nascer, crescer e viver em
paz. É preciso construir a casa para que se possa viver com dignidade como
pessoa humana, desde o momento em que tem início a existência, pois, já carrega
a imagem de Cristo.
Jesus Cristo
é proclamado Rei do Universo no último domingo litúrgico do ano. Ele tem um
Reino para nós. Pela graça do Batismo, somos filiados à Igreja. Como mãe,
a Igreja oferece as condições espirituais e humanas para que a vida seja de
fato vista como dom e riqueza imensurável. Portanto, cada criatura humana
carrega dentro de si o grande sinal de Deus Uno e Trino. A festa de Cristo Rei
é para todos os batizados. Lembramos nesse dia especialmente os leigos e
leigas.
A Comissão
Episcopal de Pastoral para o Laicato, ao saudar os leigos e leigas, convoca-os
para trabalhar na messe do Senhor e construir o Reino de paz e de justiça. O
nosso espaço, o lugar onde vivemos, deve se tornar um sinal do Reino definitivo
anunciado por Jesus Cristo. Por isso, são chamados para contribuir na
evangelização. Saudamos e cumprimentamos os milhões de leigos e leigas que se
dedicam à evangelização; são infinitamente a maioria absoluta que anunciam o
Cristo Rei através da catequese, da liturgia, da coordenação de grupos, das
pastorais, dos movimentos, associações, novas comunidades, CEBs, dos conselhos
de leigos e da presença nos diferentes espaços da sociedade como na cultura, na
economia, no mundo do trabalho, nas artes, na família, na política, na
vida profissional, na educação, nos meios de comunicação, dentre outros.
Reconhecemos que a maioria dos agentes de evangelização são as mulheres.
O trabalho
humilde, simples, cotidiano, constante, sereno, fecundo das mulheres é a beleza
gigantesca no anúncio do Reino de Deus. Que os homens também se sintam
participantes nessa tarefa divina e santa, pois temos tantos homens espalhados
pelo mundo afora se dedicando no anúncio do Evangelho e sua justiça. Que na
festa de Cristo Rei, dia do leigo, saibamos valorizar todos os que são
partícipes da gloriosa vinda de Cristo e com Ele, possamos construir o Reino
definitivo.
No ano de
2014, teremos muitas oportunidades para aprofundar a reflexão sobre a missão e
o ministério dos leigos. Está na hora de somarmos forças para equilibrar as relações
no mundo todo, que nenhum filho de Deus, passe fome, se perca no crime e seja
recolhido em prisões, mas que tenha saúde, educação, espaço para o lazer,
trabalho digno, moradia; esse é o Reino que ainda deve ser construído, e a
força do Evangelho nos proporciona e nos condiciona para tanto. Como afirma do
Documento de Aparecida os leigos e leigas são chamados a ser construtores do
Reino. É uma questão de decisão, de participação e de iniciativa criativa
e inspirada pela força de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.
Que a fé,
aumentada e professada neste Ano da Fé, seja a força motora em cada cristão
para ser instrumento de paz em toda parte.
Que o modelo
de vida de família, testemunhada por Jesus, Maria e José, encoraje os leigos e
leigas para serem discípulos missionários do Reino de Deus.
Fraternalmente,
Dom Frei Severino Clasen
Bispo de Caçador – SC
Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato
Bispo de Caçador – SC
Presidente da Comissão Episcopal para o Laicato
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
terça-feira, 19 de novembro de 2013
Campanha da Fraternidade 2014
BRASIL: CNBB divulga cartaz da Campanha da Fraternidade 2014
Os subsídios da Campanha da Fraternidade 2014 já estão disponíveis nas Edições CNBB. São diversos materiais como o manual, texto base, via sacra, celebrações ecumênicas, folhetos quaresmais, CD e DVD, banner, cartaz e outros.
Com o objetivo de trabalhar os conteúdos da campanha nas escolas, foram produzidos também subsídios de formação voltados aos jovens do ensino fundamental e médio, além de encontros catequéticos para crianças e adolescentes. O cartaz da CF 2014 traz o tema “Fraternidade e Tráfico Humano” e lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1). Os demais produtos podem ser adquiridos no site: www.edicoescnbb.org.br ou pelo telefone: (61) 2193.3001. www.cnbb.org.br
Baixe aqui o subsídio e o cartaz da Campanha.
Entenda o significado do cartaz:
1-O cartaz da Campanha da Fraternidade quer refletir a crueldade do tráfico humano. As mãos acorrentadas e estendidas simbolizam a situação de dominação e exploração dos irmãos e irmãs traficados e o seu sentimento de impotência perante os traficantes. A mão que sustenta as correntes representa a força coercitiva do tráfico, que explora vítimas que estão distantes de sua terra, de sua família e de sua gente.
2-Essa situação rompe com o projeto de vida na liberdade e na paz e viola a dignidade e os direitos do ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus. A sombra na parte superior do cartaz expressa as violações do tráfico humano, que ferem a fraternidade e a solidariedade, que empobrecem e desumanizam a sociedade.
3-As correntes rompidas e envoltas em luz revigoram a vida sofrida das pessoas dominadas por esse crime e apontam para a esperança de libertação do tráfico humano. Essa esperança se nutre da entrega total de Jesus Cristo na cruz para vencer as situações de morte e conceder a liberdade a todos. “É para a liberdade que Cristo nos libertou” (Gl 5, 1), especialmente os que sofrem com injustiças, como as presentes nas modalidades do tráfico humano, representadas pelas mãos na parte inferior.
4-A maioria das pessoas traficadas é pobre ou está em situação de grande vulnerabilidade. As redes criminosas do tráfico valem-se dessa condição, que facilita o aliciamento com enganosas promessas de vida mais digna. Uma vez nas mãos dos traficantes, mulheres, homens e crianças, adolescentes e jovens são explorados em atividades contra a própria vontade e por meios violentos.
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Carta
compromisso da 5ª Semana Social Brasileira.
5 de
setembro de 2013
A assembleia da 5ª Semana Social, promovida pela
Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, reunida no Centro Cultural de
Brasília-DF, de 2 a 5 de setembro de 2013, analisou a realidade brasileira e
global, escutou os clamores populares e celebrou a caminhada dos movimentos
sociais e das igrejas, na defesa e na promoção da vida.
Este processo, que acontece há vinte anos, tem
contribuído no debate com a sociedade para proposições de iniciativas para a
superação das desigualdades sociais e regionais.
É um esforço conjunto das organizações sociais na
defesa dos direitos humanos e da natureza como expressão da solidariedade e da
profecia cristã.
É exigência da fé, amar a Deus e ir ao encontro do
outro, sobretudo, dos pobres e necessitados. Pois “os pobres são os juízes da
vida democrática de uma nação” (Exigências Éticas da Ordem Democrática, nº 72,
CNBB, Doc nº 42, 1989).
As manifestações de rua que acontecem no país desde
junho deixam um alerta para a sociedade. Não é mais possível negar os direitos
e a participação dos cidadãos/as invisibilizados/as.
O modelo desenvolvimentista assumido pelo Estado
Brasileiro atual, baseado em políticas compensatórias, submete a nação às
determinações da mundialização neoliberal em crise, reprimariza a economia,
explorando os bens naturais e humanos para a exportação, transformando-os em
commodities. Este modelo viola o direito dos povos e ameaça a vida do planeta,
impactando as comunidades rurais e urbanas, as classes trabalhadoras e a
população em geral.
A 5ª Semana Social Brasileira, ao debater sobre o
Estado para que e para quem, procurou dar vez e voz ao conjunto da sociedade,
bem como dos povos e comunidades impactadas pelas políticas do Estado, em
sintonia com os clamores das ruas e suas reivindicações. Estes são novos
sujeitos políticos no processo de construção da sociedade e do Estado do Bem
Viver, conviver, pertencer e ser. Seus fundamentos são a solidariedade, a
fraternidade e a sustentabilidade para garantir vida plena às gerações
presentes e futuras.
Reconhecemos os avanços que a sociedade conquistou
nas últimas décadas, conscientes de que essas vitórias estão ameaçadas pelo
desmonte constitucional. Por isso, comprometemos-nos na refundação de um Estado
de inclusão e de igualdade social. O protagonismo dos movimentos sociais
garantirá um Estado que se fundamente na democracia direta, participativa e
representativa. Acreditamos nos sinais de esperança presentes na sociedade e
nas igrejas que apontam para um novo Estado e uma nova sociedade.
Para construir o Estado que queremos, assumimos os
seguintes compromissos:
1) Defender o trabalho para todos/as. Trabalho
digno e não precarizado. Nenhum direito a menos. Redução da jornada de trabalho
para 40 horas semanais sem redução dos salários como repartição dos abusivos
ganhos de produtividade do capital. Reaparelhamento do aparato fiscalizador do
Ministério do trabalho. Fortalecer a Economia Popular Solidária como uma
política de Estado.
2) Promover a formação para a cidadania, apoiando a
proposta da Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições Limpas e da
convocação de um plebiscito para uma Assembleia Nacional Constituinte
exclusiva. Participar da campanha saúde +10; 10% do orçamento da União para a
educação e os demais direitos sociais; contra a privatização dos serviços
públicos.
3) Retomar e fortalecer a metodologia das
Assembleias Populares, com a criação de Tribunais Populares, pela
democratização do Judiciário e do acesso à justiça e a reestruturação do
Sistema de Segurança pública, visando à construção de um Estado defensor dos
direitos humanos e ambientais.
4) Apoiar a Reforma Agrária, a agricultura familiar
e agroecológica; o reconhecimento dos territórios dos Povos Originários e
Comunidades Tradicionais: camponeses, indígenas, quilombolas, ribeirinhos,
pescadores artesanais, extrativistas, recicladores, e demais grupos sociais
fragilizados, cujos direitos são garantidos pela Constituição Federal e que não
são cumpridos.
5) Fortalecer a Campanha pela Democratização dos
Meios de Comunicação Social e participar de fóruns específicos.
6) Garantir a efetivação dos Conselhos de
Juventudes para o controle social das políticas públicas; assumir a campanha
contra o extermínio de jovens, principalmente pobres e negros; contra a redução
da maioridade penal e a violência às mulheres.
7) Incentivar políticas de defesa civil, com
participação da sociedade, para a prevenção dos impactos socioambientais dos
projetos desenvolvimentistas e a proteção e garantia de direitos das populações
afetadas.
8) Exigir do Governo Federal a implementação do
Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil e que haja sua efetiva
participação.
9) Incentivar a criação e o fortalecimento dos
fóruns populares que monitoram e propõem políticas urbanas nos bairros, nas
regiões administrativas e nos municípios.
10) Informar e mobilizar a sociedade sobre a gestão
dos recursos públicos, participando de campanhas pela revisão da distribuição
orçamentária da União; por uma reforma tributaria progressiva e participativa;
contra uma política de endividamento público e de gestão do orçamento social e
ambiental irresponsável. Exigir do governo o fim dos leiloes do petróleo, pela
plena reestatização da Petrobras, bem como a auditoria da dívida pública,
conforme o artigo 26 das Disposições Transitórias da Constituição Federal.
Dentre estes compromissos, destacamos a urgência
pela:
1- Reforma política
2- Demarcação das Terras Indígenas, dos Territórios
Tradicionais, dos Quilombolas e Pesqueiros
3- Solicitar ao papa Francisco que convoque um
evento internacional sobre a Vida no Planeta
Apoiamos a reforma política que garanta a soberania
popula; a Campanha da Coalizão Democrática pela Reforma Política e Eleições
Limpas; a convocação do Plebiscito Popular para uma Assembleia Nacional
Constituinte exclusiva; a Campanha pela Demarcação dos Territórios Tradicionais
e Pesqueiros.
Concluímos afirmando nosso apoio ao papa Francisco
na renovação da Igreja.
Brasília – DF, 5 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
CARTA DA 2ª AMPLIADA DAS CEBs REGIONAL NORDESTE 3 DO ANO DE 2013
CARTA
DA 2ª AMPLIADA DAS CEBs REGIONAL NORDESTE 3 DO ANO DE 2013
Um
momento de oração deu inicio ao nosso encontro, para logo analisar a conjuntura
sócio-eclesial com a ajuda de Ruben Siqueira, da CPT Regional. Partimos de uma
frase do filósofo Antonio Gramsci: “Ser pessimista na análise e otimista na
ação”, e a partir daí vimos àquilo que está marcando a vida social atual: os
protestos nas ruas, o papel da mídia diante disso, a necessidade de uma reforma
política, os problemas relacionados com a mineração e a exploração dos recursos
naturais...
Podemos
concluir diante da realidade que estamos num momento de apocalipse e que somos
desafiados a reagir. Mas, ao mesmo tempo, descobrimos no Papa Francisco alguém
que dialoga melhor com os pobres, com as comunidades de base.
Logo
depois nos reunimos em três rancharias. A primeira, CEBs e o Grito dos
Excluídos, assessorada pela Ir. Terezinha Foppa, da Diocese de Ruy Barbosa, nos
leva a sentir a necessidade de, como CEBs, assumir o grito dos excluídos, as
semanas sociais e a Campanha da Fraternidade como parte integrante de nossa
missão em vista da construção de um projeto popular de sociedade rumo ao Reino
de Deus, sem perder a motivação pela falta de apoio das autoridades
eclesiásticas e o desinteresse do povo.
A
segunda, Espiritualidade das Romarias e a Romaria do Padre Cícero, assessorada
por Fr. Jorge Geraldo, da Arquidiocese de Salvador, nos faz cair na conta do
divorcio clero-povo, da necessidade de resgatar na formação nos seminários um
novo jeito de relacionamento dos pastores com o povo. Somos desafiados a dar
continuidade às romarias em nossas comunidades. Sente-se a necessidade de
estudar o documento de estudo da CNBB, “Comunidade de comunidades: uma nova
paróquia” para recuperar a ideia de Igreja de CEBs.
A
terceira rancharia, Juventude de ontem e de hoje, quais os desafios?,
assessorada por Roberjane Ribeiro Nascimento, da Arquidiocese de Salvador, nos faz um chamado sobre a saída dos jovens
da Igreja, diante da falta de atrativo. Frente a isso deve surgir a necessidade
de um projeto de Igreja que acolha sem preconceito, com uma linguagem adequada,
juvenil, tendo em conta a realidade social diferente e o novo conceito de
família.
Encerramos
o primeiro dia com um passeio no Pelourinho e uma animada noite cultural.
Nosso
domingo começou com a celebração eucarística, para depois tomar consciência da
luta do povo tupinambá de Olivença e nos posicionar como CEBs diante das
perseguições que estão sofrendo. Foi avaliada a caminhada do Regional e o
andamento deste encontro, para finalizar fazendo os encaminhamentos para o 13º Intereclesial,
a programação para o ano 2014 e a oração de envio.
Agradecemos
a Deus pela possibilidade de ter nos encontrado mais uma vez e a partir da
reflexão ter enxergado pistas para fazer realidade seu projeto em nosso meio,
especialmente entre os pobres.
01
de Setembro de 2013 - Alto do Cabrito, Salvador - BA
domingo, 25 de agosto de 2013
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